quarta-feira, 15 de março de 2017

QUEM ERA MOLOQUE?

Tal como acontece com grande parte da história antiga, a origem exata da adoração a Moloque não é clara. Acredita-se que o termo Moloque tenha originado com o mlk fenício, que se refere a um tipo de sacrifício feito para confirmar ou absolver um voto. Melekh é a palavra hebraica para “rei.” Era comum para os israelitas combinarem o nome de deuses pagãos com as vogais na palavra hebraica para ‘vergonha’: "bosheth". Foi assim que a deusa da fertilidade e da guerra, Astarte, tornou-se Ashtoreth. A combinação de mlk, melekh e bosheth resultou em "Moloque", que poderia ser interpretado como "o governante personificado de um sacrifício vergonhoso". Ele também foi grafado como Milcom, Milkim, Malik e Moloch. Ashtoreth era sua consorte, e a prostituição ritual era considerada uma importante forma de adoração.

Os fenícios eram um grupo vagamente reunido de pessoas que habitavam Canaã (atual Líbano, Síria e Israel) entre 1550 aC e 300 aC. Além de rituais sexuais, a adoração a Moloque incluía o sacrifício de crianças, ou "passar as crianças pelo fogo." Acredita-se que os ídolos de Moloque eram estátuas de metal gigantes de um homem com a cabeça de um touro. Cada imagem tinha um buraco no abdômen e possivelmente braços estendidos que faziam uma espécie de rampa ao buraco. Um incêndio era acendido em ou em torno da estátua. Os bebês eram colocados nos braços ou no buraco da estátua. Quando um casal sacrificava o seu primogênito, eles acreditavam que Moloque iria assegurar a prosperidade financeira para a família e para as crianças futuras.

A adoração a Moloque não se limitava à Canaã. Monólitos no Norte de África possuem a gravura "mlk" - muitas vezes escrita "mlk'mr" e "mlk'dm", que pode significar "sacrifício do cordeiro" e "sacrifício do homem". No norte da África, Moloque foi rebatizado de "Kronos". Kronos migrou para Cartagena, na Grécia, e sua mitologia cresceu para incluir o seu tornar-se um titã e pai de Zeus. Moloque é afiliado e às vezes equiparado a Baal, embora a palavra ba'al também tenha sido usada para designar qualquer deus ou governante.

Em Gênesis 12, Abraão seguiu o chamado de Deus para ir para Canaã. Embora o sacrifício humano não tenha sido comum em Ur, terra natal de Abraão, ele era bem estabelecido em sua nova terra. Mais tarde, Deus pediu que Abraão oferecesse Isaque em sacrifício (Gênesis 22:2). Mas então Deus distinguiu-se de deuses como Moloque. Ao contrário dos deuses cananeus nativos, o Deus de Abraão abominava o sacrifício humano. Deus ordenou que Isaque fosse poupado, e Ele providenciou um carneiro para tomar o seu lugar (Gênesis 22:13). Deus usou este evento como uma ilustração de como iria fornecer o Seu próprio Filho para tomar o nosso lugar.

Mais de 500 anos depois de Abraão, Josué liderou os israelitas a saírem do deserto em direção à Terra Prometida. Deus sabia que os israelitas eram imaturos e facilmente distraídos da adoração do único e verdadeiro Deus (Êxodo 32). Antes de os israelitas terem sequer entrado em Canaã, Deus advertiu-os a não participarem no culto a Moloque (Levítico 18:21) e repetidamente lhes disse para destruir as culturas que adoravam aquele falso deus. Os israelitas não deram ouvidos às advertências de Deus. Em vez disso, eles incorporaram a adoração a Moloque em suas próprias tradições. Até mesmo Salomão, o rei sábio, foi influenciado por esse culto e construiu locais de adoração a Moloque e outros deuses (1 Reis 11:1-8). A adoração a Moloque ocorreu nos "lugares altos" (1 Reis 12:31), bem como na ravina estreita fora de Jerusalém chamada de vale de Hinom (2 Reis 23:10).

Apesar dos esforços ocasionais por reis piedosos, a adoração de Moloque não foi abolida até o cativeiro dos israelitas na Babilônia. (Embora a religião babilônica tenha sido panteísta e caracterizada pela astrologia e adivinhação, ela não incluía o sacrifício humano.) De alguma forma, a dispersão dos israelitas em uma grande civilização pagã conseguiu finalmente eliminá-los de seus falsos deuses. Quando os judeus retornaram à sua terra, eles consagraram-se a Deus, e o Vale de Hinom foi transformado em um lugar para queimar o lixo e os corpos dos criminosos executados. Jesus utilizou este lugar como uma analogia – o fogo eternamente ardente consumindo inúmeras vítimas humanas - para descrever o inferno, onde aqueles que rejeitam a Deus vão queimar por toda a eternidade (Mateus 10:28).

Moloque ou moleque?

Há poucos dias fui interrogado por um aluno de teologia sobre a relação da palavra portuguesa moleque com o nome hebraico moloque. Este aluno me citou o Dicionário Bíblico Universal que usa o verbete moloque e moleque de modo intercambiável.
Pesquisando o assunto achei um blog onde o autor defende a tese da influencia de moloque em moleque: “Muitos servos do Deus Vivo, homenageiam esse demônio, sem querer e sem saber, ao chamarem suas crianças de Moleque ou ainda cantando “boi… boi… boi… boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta…”
Esse exemplo não é caso isolado no universo evangélico. Reflete o tipo de hermenêutica que muitas vezes impera nas igrejas evangélicas. É o que eu chamo de hermenêutica do senso comum. Acontece que fora à semelhança fonética, moloque, semanticamente falando, não tem nada a ver com a palavra portuguesa moleque. Estão separados histórica e linguisticamente um do outro. Moloch ou Moloque, também conhecido como Malcã era uma divindade pagã do povo amonita em cujo altar era oferecido sacrifício infantil (Lv 18.21). O significado mais provável para este nome era “rei”. Muitas seitas já utilizaram este recurso semântico para criar heresias em cima de palavras semelhantes, a título de ilustração o nome IE-SUS que segunda a seita Testemunhas de Iehoshua vem da palavra pagã “deus porco”.

Já a palavra portuguesa moleque vem da palavra mu’leke no idioma Quimbundo que é uma das línguas bantus mais faladas em Angola, e seu significado é “filho pequeno”. A Wikipédia afirma: “Originalmente era usado apenas em referência à criança negra. Hoje já não se reconhece mais este significado. Durante a escravidão do Brasil, tratar um branco por “moleque” era uma grande ofensa, uma vez que este termo referia-se sempre ao escravo. Atualmente, além de indicar qualquer garoto (às vezes, utilizado para designar a criança levada, travessa, seja ela branca ou negra), também pode ser utilizado (quando em relação a um adulto) para designar um individuo sem vergonha, sem palavra, sem responsabilidade, cujas atitudes são iguais a de uma criança”.


Com Amor... Pr. Alecs!!!


Bibliografia: Gotquestions.org, CACP.

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