quarta-feira, 29 de março de 2017

O ciúme é amor ou uma doença? Saiba o que a Bíblia diz:

Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!

O ciúme é um sentimento que apresenta caráter instintivo e natural marcado por outros sentimentos como medo, incerteza, insegurança, dúvida, imaginação, obsessão ou delírio. Em certas ocasiões, é normal e aceitável sentir ciúmes. Não é perigoso ter este sentimento desde que não seja em excesso.

Nos relacionamentos onde os sentimentos de ciúme são moderados, ele lembra ao casal que um não deve considerar o outro como definitivamente conquistado. Pode encorajar casais a fazer com que se apreciem mutuamente e façam um esforço consciente para assegurar que o parceiro se sinta valorizado.

Ciúme potencializa as emoções, fazendo o amor se sentir mais forte. Em doses pequenas, ciúme pode ser um estímulo positivo num relacionamento. Mas quando é intenso ou irracional, a história é bem diferente, quando em excesso pode ser considerado doentio.

Quando isso acontece pode afetar gravemente uma relação, levando o outro parceiro a sentir-se constantemente inferior a qualquer outro " concorrente". O parceiro ciumento, em alguns casos chega a violência, levando a morte, destruição de famílias, entre outras situações.

A origem da palavra ciúme. Ela vem do latim zelumen, que vem do grego zelus. Originalmente ciúme significa zelo e cuidado.

Todos nós já sentimos ciúme pelas coisas que gostamos (coleções de objetos, uma roupa, um brinquedo preferido) ou por alguém que amamos (pai, mãe, irmãos, amigos). Mas é nos relacionamentos amorosos que este sentimento é mais freqüente. Sentir ciúme pelo que ou por quem gostamos é normal, faz parte do cuidado, do querer bem e ser amado.

Dizem que um pouco de ciúme apimenta a relação. Acho que isto se refere a não sermos indiferente ao parceiro, nos importarmos com ele.

Mas o ciúme pode crescer, se descontrolar e tornar-se uma doença. A partir daí não há mais cuidado e nem zelo, mas sim controle e desconfiança. Isto, não é mais o amor, já que se perde o respeito pelo outro, fundamental numa relação.

Quantas vezes já não tivemos notícias ou até mesmo presenciamos cenas de brigas e até agressões. Pessoas que dizem amar o outro e que cometem atos irracionais, nomeados como ciúme, que colocam em risco a integridade física da outra pessoa, com ameaças, destruição de bens.

Na nossa cultura os homens, no geral, foram treinados para um verdadeiro pavor de envolvimento. Adora sexo, o prazer imediato do relacionamento, a sedução esporádica, mas tremem diante de qualquer coisa que signifique compromisso.

Mães dominadoras, possessivas, excessivamente protetoras, criaram homens com medo de amar. O que na verdade, é o medo do abandono. Assim é a manifestação do ciúme masculino na nossa sociedade.

A indiferença masculina é uma defesa preventiva à possibilidade do abandono, da dominação, da traição feminina. O ciúme, ou seja, o medo de perder inviabiliza o amor que é sempre risco, confiança e entrega.

É a chamada síndrome do laço no pescoço.

Aliás, é comum falar do casamento como forca, prisão.

Quando, porém, ele fica sabendo que ela está com outro relacionamento ele fica “louco de ciúme” e tenta se aproximar. E se ela aceita a aproximação, ele a despreza novamente. E às vezes relacionamentos movidos por esta estrutura ficam anos neste jogo do vai e volta e com muito sofrimento para ambos.

A incapacidade de amar é o seguinte: Quero todas as vantagens prazerosas do relacionamento (eu gosto dela), mas meu medo de perder me faz não querer os riscos possíveis do compromisso. E como sempre, quem tudo quer tudo perde.

Perde, sobretudo, a vivência gostosa do amor, representada pelo companheirismo, sensação de inclusão e pela paz dos que se relacionam com afeto e ternura.

Como, porém, em todo relacionamento a mão é dupla, esta dificuldade masculina é reforçada e alimentada pela contra partida da mulher.

Ao contrário do homem, em pólo oposto, as mulheres em geral, são extremamente carentes. Carência provocada pela ausência ou frieza paterna, realimentada continuamente pela falsa crença cultural de que a mulher só será feliz se tiver “alguém”, se casar e se tiver filhos.

Daí o ciúme feminino, traduzido em um controle excessivo do namorado, ou marido, em um desejo de estar junto o tempo todo, sufocando e oprimindo a individualidade do outro.

Aqui a síndrome é a do laço na mão, pronto para laçar o homem. Imaginem a impossibilidade de um relacionamento em que a mulher, dada a sua insegurança e carência faz de tudo para prender e segurar um homem cuja neurose principal é ter pavor de ficar preso.

Relacionamentos desta natureza, mesmo quando as pessoas se casaram, terminam sempre de maneira traumática e mesmo antes do término, são permeados por brigas constantes, ciúmes, violências verbais ou físicas, constantes términos e voltas e muito sofrimento.

O pano de fundo de tudo isto é o ciúme, ou seja, o medo de perder, o medo do abandono, o medo de amar, o medo da solidão ou o medo do compromisso.

Ainda que o ciúme apareça com várias caras é sempre ele o responsável pelo sofrimento na relação amorosa. E ao invés das pessoas tratarem deste sentimento que tão mal fazem às construções amorosas, elas preferem terminar os relacionamentos, achando que o próximo será melhor.

Para resolver uma situação de desconfiança ou ciúme não tem jeito: temos que dialogar.

Primeiro conosco mesmo: há motivos para esse sentimento? Será que estou num momento mais inseguro pessoalmente? E dialogar também com o parceiro ou parceira, contando como se sente em determinadas situações e buscando mudanças que procurem respeitar aos dois.

O cuidado com o outro, a confiança e o respeito são os pilares de uma relação saudável e madura. O diálogo e o olhar para as próprias emoções e para as necessidades do parceiro ou parceira são fundamentais para que o ciúme e desconfiança não estraguem o futuro e felicidade de nosso relacionamento.

O ciúme é um sentimento que surge por uma sensação de perda, ou por acharmos que estamos sendo rejeitados em troca de outra pessoa.

É um sentimento proveniente do orgulho, que é traduzido muitas vezes na Bíblia como soberba, que nada mais é do que a manifestação do alto apreço

Geralmente o ciúme é causado dentro de nós pela pessoa que mais apreciamos, amamos e que geralmente temos relacionamento.

Por amarmos muito alguém, temos a expectativa de sermos correspondidos, portanto, quando não somos, nós sentimos traídos; afinal achamos que estamos dando o nosso amor e esperamos receber o mesmo de volta.

No relacionamento, entendemos no nosso íntimo, que temos um acordo de dedicação amorosa e de atenção exclusiva do nosso parceiro, pois nos dedicamos inteiramente a ele e queremos a mesma resposta.

Quando por um motivo ou outro, não conseguimos o retorno de amor e atenção esperado, ou nos sentimos ameaçados pela interferência de outro, a faísca causada pelo orgulho acende a chama do ciúme.

O ciúme, por sua vez, é a faísca que faz acender outros pecados, desde as brigas, agressões e até a morte.

Vejamos agora o que a Palavra de Deus nos fala sobre o ciúme.

O primeiro caso de ciúmes relatado na Bíblia exemplifica a morte causada pelo ciúme. Foi a morte de Abel, causada por Caim pelo ciúme. Infelizmente hoje, vemos muitos casos de mortes causadas pelo ciúme.

Ana tinha ciúmes de Elcana e sua outra mulher Penina. (1 Samuel cap. 1)

As esposas de Jacó tinham ciúmes uma da outra por causa do marido comum. (Gn 29 e 30)

No livro de Números há uma pequena história sobre ciúmes. (Nm 11. 16 – 29)

(Pv 6.34)

(Ct 8.6)

(Rm 10.19)

(Tg 4.5)

Diante dos frutos ruins produzidos pelo ciúme, podemos entender que ele não vem de Deus. Assim é o que a Bíblia diz em I Co 13.4-5:

“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;”

De acordo com a Bíblia, no amor que vem de Deus não existe ciúme.

Num relacionamento onde duas pessoas são verdadeiramente cristãs, o ciúme não aparece – e nem deveria, pois o verdadeiro cristão não se envolve em situações que provocam ciúmes ao cônjuge.

Se o ciúme está no relacionamento entre duas pessoas convertidas, então é preciso que o ciumento (ou o provocador de ciúmes) se aproxime mais de Deus e passe a confiar Nele.

Quando Deus passa a ser o direcionador do relacionamento, o ciúme acaba. Conheço alguns casais que tinham problemas sérios de ciúmes.

Muitos com motivos, mas que eliminaram esse problema através da transformação de Deus em suas vidas. Eles aprenderam a se respeitar e a se amar, conquistando confiança um no outro, porque viram que já não eram como antes – a velha criatura; mas agora eram novas criaturas, nascidos de novo; portanto novas pessoas transformadas que aprenderam como serem maridos e esposas de Deus.

Também conheço casais que freqüentam a Igreja, mas tem brigas constantes de ciúmes. Foram levados a aprenderem sobre o relacionamento cristão, mas se focaram no problema e não no aprendizado. Sendo assim, não conseguiram aprender como ter um relacionamento cristão e não foram transformados, permanecendo com o problema.

A Bíblia diz: “o amor não arde em ciúmes” (1 Co 13:4).

O amor combina com liberdade e com libertação. Quem ama confia, libera, emancipa o outro. Arder em ciúme é se deixar tomar pela insegurança, pelo medo. Isso acaba com qualquer relacionamento.

Isso, quando o ciúme não é mera projeção. Isto é, o sujeito não é fiel e pensa que ela, quando está longe do seu controle, está fazendo, com ele, o que ele está fazendo com Lea. E aí é verdadeiro o ditado: “o inocente paga pelo pecador.”

Às vezes o ciúme tem a ver com o medo de perder o ente amado, acontece, principalmente, quando um dos cônjuges sofre de algum complexo de inferioridade e, como sabe que o outro, por causa da sociedade em que vivemos, está, pelo menos, sob algum assédio, é tomado pelo pavor de perdê-lo.

Aí é preciso convencer o outro com consistentes demonstrações de seu amor. E, um tem de aprender a confiar no outro, assim como clamar a Deus que não os deixe cair em tentação.

É triste ouvir a mulher ou o homem a dizer: “Não é que ela ou ele não me ame, mas que me sufoca com aquele ciúme doentio.”

Lembre-se: arder em ciúme não é amar. O amor liberta, confia, estimula o outro, o faz sentir-se importante, digno de confiança. E uma pessoa que se sente amada reage a esse amor com maior amor ainda. Por isso não se deixe tomar pelo ciúme, se for o caso procure ajuda. Faça o outro feliz para ser feliz.

A única maneira de acabar com o ciúme sem acabar com o amor e o relacionamento, que não agrada à Deus; é levar o relacionamento aos moldes cristãos, permitindo uma transformação no caráter de cada cônjuge.

Se você tem ciúmes constantemente, apesar de ter um relacionamento cristão; é preciso aprender a confiar em Deus e enxergar seu cônjuge como uma pessoa transformada. Muito, por causa do passado, tem dificuldade em ter confiança nesse novo relacionamento que envolve Cristo. É preciso então da ajuda de Deus.

Aconselho que ore pedindo a Deus para mudar seu coração e te libertar desse sentimento maligno. Se achar necessário, peça ajuda a um pastor de sua confiança para orar contigo, mas busque em Deus para mudar esse sentimento que atrapalha o relacionamento e sua felicidade.

Acredite mais em você, aceite o amor de seu cônjuge, aceite o milagre de Deus!

Você pode sim ser especial para o seu cônjuge! Deus quer isso!

Que Deus ajude a cada um dos casais a viverem um para o outro.
E ambos para a glória do Senhor em nome de Jesus, amém!

Com Amor… Pr. Alecs!!!

Fonte: Jânio Santos de Oliveira - Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus.

quinta-feira, 23 de março de 2017

LEIS ACERCA DE VOTOS... (Lv 27:1-34).

“Diga o seguinte aos israelitas: Se alguém fizer um voto especial, dedicando pessoas ao Senhor, faça-o conforme o devido valor (Lv 27:2)”.

Tanto o último versículo do capítulo precedente quanto o deste 27º capítulo de Levítico, indicam que os mandamentos deste livro foram dados por Deus quando o povo de Israel se encontrava acampado junto ao monte Sinai.
Neste último capítulo são descritos os procedimentos para os votos voluntários relativos a pessoas (v.2-8), a animais (v.7-13), a casas (v.14-15) ou a campos (v.16-25).
Nenhum voto era de caráter impositivo, mas uma vez sendo feito pela iniciativa do próprio votante, deveria ser cumprido, conforme prescrito pela lei.

A consagração de pessoas ao Senhor seria feita com base na idade e no sexo, sendo que os valores a serem pagos ao sacerdote para ser usado na administração do tabernáculo, foram fixados da seguinte forma, em siclos de prata:

- Sexo masculino – de 1 mês a 5 anos – 5 siclos (v.6);
- De 5 a 20 anos – 20 siclos (v 5);
- De 20 a 60 anos – 50 siclos (v.3).
- Acima de 60 anos – 15 siclos (v.7)
- Sexo feminino - de 1 mês a 5 anos – 3 siclos (v.6);
- De 5 a 20 anos –  10 siclos (v 5);
- De 20 a 60 anos – 30 siclos (v.4).
- Acima de 60 anos – 10  siclos (v.7).

Em II Reis 12 nós vemos que estes recursos foram usados, naqueles dias, para se fazer reparos no templo.
O princípio espiritual que podemos retirar como ensino deste preceito da Lei relativo a votos de pessoas, é que há um preço a ser pago por aqueles que desejam se consagrar a Deus.
Este preço é tanto mais alto quanto maior for a capacidade desta consagração, em termos de realização de um maior serviço.
Aprendemos também que esta consagração, apesar do preço que exige de nós, é inteiramente voluntária.
É certo que há uma chamada de Deus para cada ministério, mas todos eles devem ser exercidos de modo voluntário, livre, espontâneo, de coração, estando os que se consagram, muito mais dispostos em dar do que receber.
Os animais, casas e campos que fossem consagrados a Deus poderiam ser resgatados posteriormente, por meio de troca por outro de igual valor, ou se  pagando a justa avaliação do bem que deveria ser feita pelo sacerdote, com acréscimo da quinta parte do valor da avaliação feita (v. 13, 15, v 19).
No caso de campo deveria ser observado o procedimento relativo ao ano do jubileu (v .17-24).
Entretanto, os bens que houvessem sido consagrados de modo irremissível ao Senhor não poderiam ser resgatados (v.28,29).
Finalmente, nos versos 30 a 33 é fixada a lei do dízimo sobre tudo o que produz a terra como sendo pertencente ao Senhor.
Caso se pretendesse resgatar algum bem, isto somente poderia ser feito se fosse acrescentado ao seu valor uma quinta parte. 
      Há muitos princípios espirituais para serem aprendidos pela igreja na Lei de Moisés, mas devemos dar graças a Deus por termos sido libertados por Cristo do jugo cerimonial da Lei, ao qual os apóstolos chamavam de jugo pesado, que nem os próprios israelitas conseguiram suportar (Atos 15.10).
     Graças a Deus pelo jugo de Jesus Cristo, que agora carregamos, que é leve e não pesado, como era o jugo da lei.

OS VOTOS FEITOS A DEUS.
Explanando um pouco mais, no tocante aos votos:

Com relação aos votos, a palavra de conselho é a de que não vote de modo algum, mas, se por acaso, votar – o que não está errado -, não devemos tardar em cumpri-lo.
Ana, em sua aflição, votou ao Senhor e, depois de alcançada a sua bênção, cumpriu seu voto, honrando assim a Deus que a atendera.

I Samuel 1:10 Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente.

I Samuel 1:11 E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao SENHOR o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.

O tema dos votos constitui um final apropriado para este livro, bem depois das bênçãos e maldições que sucederam os estatutos, ordenanças e leis que o Senhor falou a Moisés e este falou ao povo e nós agora em Cristo falamos e pregamos.

“... Os votos devem ser mantidos, cumpridos e pagos. Se você fizer um voto com o Senhor deve ser diligente e fazer tudo aquilo que prometeu a Deus sob pena de ser cobrado por isso: “Façam votos ao Senhor, ao seu Deus, e não deixem de cumpri-los” (Salmo 76.11a NVI).

I – A falta de cumprimento dos votos espirituais produz:
Toda pessoa que faz um voto a Deus e não o cumpre experimenta consequências deste ato que não agrada ao Senhor.

1.       Aborrecimento no Senhor que espera o cumprimento das promessas. Não cumprir o seu voto é provocar um sentimento desagradável no Senhor: “Se um de vocês fizer um voto ao SENHOR, o seu Deus, não demore a cumpri-lo, pois o SENHOR, o seu Deus, certamente lhe pedirá contas, e você será culpado de pecado se não o cumprir” (Deuteronômio 23.21 NVI).
2.       Desrespeito para com a pessoa de Deus. Não cumprir o seu voto é revelar tremenda falta de respeito para com o Senhor Deus: “Faça tudo para cumprir o que os seus lábios prometeram, pois com a sua própria boca você fez, espontaneamente, o seu voto ao SENHOR, o seu Deus” (Deuteronômio 23.23 NVI).
3.       Tolices, precipitações e tentativas de justificar-se. Pior do que não cumprir um voto é ficar inventando desculpas para não fazê-lo. Cuidado com os votos precipitados e com os sacrifícios de tolos: “É uma armadilha consagrar algo precipitadamente, e só pensar nas consequências depois que se fez o voto” (Provérbios 20.25 NVI).
4.       Desobediência expressa à vontade de Deus. Qual é a vontade de Deus em relação aos votos? Que uma vez feitos devem ser pagos, ou cumpridos o mais breve possível: “Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto” (Eclesiastes 5.4 NVI).”[1]

Os votos não são moedas de negócios que temos nas mãos prontas para qualquer emergência espiritual de tal forma que as usando, garantiremos o livramento, o socorro e a coisa desejada. Na verdade, somos levados a fazer o voto por causa da grande aflição a qual o Senhor poderá aceitar ou não.
Eu não posso obrigá-lo a aceitar meus votos e com isso forçá-lo em sua vontade fazendo a minha vontade: isso é ignorância espiritual. Eu não sou Deus, Deus é Deus. Eu sou apenas um instrumento de Deus o qual ele usa como quiser – At 9:15.
Eu tenho de entender que se eu estou desejoso de fazer um voto específico por uma causa específica e legítima para mim dentro do reino de Deus é por que Deus está querendo exatamente isso de mim. Eu não forço nada diante de Deus, simplesmente deixo acontecer para a glória de Deus!
O capítulo 27 está assim dividido: votos particulares e a avaliação deles dos vs. 1 ao 15; voto de um campo e o resgate dele, dos vs. 16 ao 27; não há resgate para certas coisas consagradas, dos vs. 28 a 29; e, sobre as dízimas dos vs. 30 ao 34.

Levítico termina dizendo que estes são os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés para os filhos de Israel, no monte Sinai. Ele, o livro, começou com a palavra que lhe deu origem o nome no hebraico: “E chamou”. O nome Levítico vem do latim a qual é a forma latina do título grego do livro “acerca dos levitas”.
O fato é que o Senhor chamou a Moisés e falou com ele da tenda da congregação, dizendo: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes:”.
Reparem na ordem, primeiro o chamado “e chamou”, depois a fala “e falou” e finalmente a ordem “fale”. Começa chamando, falando e ordenando a fala e conclui dizendo que esses foram os mandamentos que o Senhor ordenou “falou” a Moisés para os filhos de Israel no monte Sinai.

É por isso que a palavra da fé diz: “Cri, por isso falei; nós também cremos, por isso também falamos”

II Coríntios 4:13 E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos.
II Coríntios 4:14 Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco.
O apóstolo fala do espírito de fé o qual aponta para Cristo Jesus!
Colossenses 1:15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
Colossenses 1:16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
Colossenses 1:17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
Colossenses 1:18 E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.
Colossenses 1:19 Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse,
Colossenses 1:20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
Jesus Cristo é a essência e o fim de todas as coisas.

Se há lei, ela aponta para ele. Se há Antigo Testamento, esse indica que há um Novo Testamento em Cristo Jesus. Se há palavra profética, ela aponta para Cristo. Se há revelação, ela mostra Cristo. Se há aliança antiga – a qual não há, porque cada nova aliança nunca desfez as antigas, antes confirmaram elas –, então há aliança nova não no sentido de outra, mas de renovada. Se há novidades, a novidade é Cristo Jesus! Deus bendito para todo sempre.

Com Amor... Pr. Alecs!!!


Bibliografia: http://livrosbiblia.blogspot.com.br/, http://www.jamaisdesista.com.br

segunda-feira, 20 de março de 2017

O SACERDOTE... (Lv 21-22)

"Diga a Arão: Pelas suas gerações, nenhum dos seus descendentes que tenha algum defeito poderá aproximar-se para trazer ao seu Deus ofertas de alimento. (Lv 21:17)”.

O que é Sacerdote? É aquele que entre os hebreus faz ou ministra os sacrifícios a Deus. Entre os gentios também se chamava sacerdote ao sacrificador. Antes de considerar os vários aspectos bíblicos do sacerdote, é necessário mostrar quais são as características essenciais do sacerdócio. Que devia o sacerdote fazer, na sua qualidade de sacerdote, que nenhum outro pudesse realizar sob quaisquer circunstâncias? A mais exata definição de sacerdote acha-se em Hb 5.1. o sacerdote era ‘constituído nas coisas concernentes a Deus a favor dos homens’. Quer isto dizer que ele apresentava ao Senhor coisas, dons e sacrifícios, ofertas do homem a Deus – e o seu trabalho era realmente oposto ao do profeta, que devia revelar Deus ao homem. Nesta consideração, a idéia fundamental de sacerdote é a de um mediador entre o homem e Deus. A mensagem do capítulo 21 é para os sacerdotes e suas famílias. Eles deveriam manter-se afastados de todo tipo de contaminação. Ao povo era permitido fazer certas coisas que aos sacerdotes não eram permitidas. Por sua vez, os simples sacerdotes tinham maiores liberdades do que o sumo sacerdote.  Havia uma norma de conduta graduada que se tornava mais estrita quanto mais elevada fosse a categoria da pessoa.

O que podemos aprender com este capítulo? Sabemos que nos Dias atuais, no tempo da graça, NÃO existem sacerdotes DA MESMA FORMA que no VELHO TESTAMENTO, mas a verdade é que todos os cristãos são sacerdotes. É isto que as Escrituras ensinam. O livro de Apocalipse declara que os cristãos são feitos "sacerdotes para Deus" por meio da fé na obra consumada de Cristo na cruz (Ap 1:6; 5:10). A epístola de Pedro confirma isto, dizendo que “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e SACERDÓCIO SANTO, para oferecer SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS AGRADÁVEIS A DEUS POR JESUS CRISTO (1Pd 2:5-9)”. Neste caso todos tem responsabilidades de viver SANTOS, PURIFICADOS pelo sangue do SUMO SACERDOTE, CRISTO, e buscando viver uma VIDA REGRADA pelos ensinamentos Dele, assim oferecendo SACRIFICIOS ESPIRITUAIS, não pelos outros, mas por SI PRÓPRIO.

Então, VAMOS LÁ SACERDOTES, BORA trabalhar para nosso Deus, NOSSO TURNO de serviço é a TODO Instante, seja em casa, no trabalho, na escola ou em qualquer outro lugar...

TRAZENDO PARA A LIDERANÇA, podemos dizer que Deus espera que seus ministros proporcionem à igreja um exemplo de vida santificada, sendo EXEMPLO para os demais. O serviço de Deus exige que o homem entregue o melhor do que tem. E neste capítulo a entrega do melhor é representada por 3 qualidades necessárias para o sacerdócio: Condição física, santidade e consagração. Aproveitando veremos algumas simbologias de acordo 13 defeitos não permitidos ao sacerdote, nos trarão alguns ensinamentos:

1 ) O CEGO.
Nota: Os olhos não são capazes de enxergar sem a mente, são por meio dos nervos ópticos que ele envia ao cérebro todos os estímulos que recebe, la essas informações, são organizadas e interpretadas, o cristalino que funciona como uma lente na retina projeta uma imagem de cabeça para baixo. cabe ao cérebro inverte-la na posição certa. Aquele que não tem visão, não esta apto para o Sacerdócio. Lideres sem visão são como um carro sem farol a noite. Quando se perde a visão de Deus, Perde-se foco dos objetivos principal do reino de Deus, perde-se a direção. Que Deus nos ajude afim de que tenhamos sempre o colírio para ungir nossos olhos espirituais.

2) O COXO.
Pessoas que manquejam, por causa de defeito nas pernas ou nos pés (Hb 12:13). Os coxos tem dificuldades para andar, são lentos, quantos obreiros que manquejam espiritualmente, não conseguem firmar propósitos com Deus, são obreiros que coxeiam entre dois pensamentos, são indecisos, não tem firmeza espiritual. O obreiro precisa ser decidido, Seguro daquilo que ele é.

3) NARIZ CHATOS.
O nariz é o ligado ao olfato, por isso não podia ser chato, ter nariz chato, Significa não sentir mais o cheiro de Cristo, Não exalar mais a Gloria de Deus, Outra verdade, É que o obreiro não deve meter o nariz em coisa que não agrada a Deus, (meter o nariz onde não lhe cabe).

4 ) MEMBROS DEMASIADAMENTE COMPRIDOS.
Isto fala de exagero, Pode estar relacionado aos membros do corpo, como as pernas, braços, a língua, Ouvido, A boca, Olhos, Em tudo precisamos ter equilíbrio, Não pender, Nem para a direita nem para a esquerda. O homem de Deus precisa ser correto, JUSTO.

5 ) PÉS QUEBRADOS.
Geralmente essas pessoas, Vivem mais sentadas. Levantai e andai porque não é aqui o vosso descanso, (Mq 2:10). Quão formoso os pés dos que anuncia a paz, Dos que anunciam coisas boas, (Rm 10:15). Os pés, são o sustento do corpo, Portanto não podiam ser quebrados, devem estar perfeitos e preparados para anunciar as boas novas de salvação. O Sacerdote ainda tinha que estar com os pés untados com azeite, Para que onde pisasse pudesse deixar as marcas, Nota, Como estar nossos pés, será que onde pisamos deixamos as marcas de Cristo.

6 ) MÃOS QUEBRADAS.
Falam de trabalhos, Mãos quebradas são mãos que não se estendem para abençoar as pessoas, (Hb 12:12). As mãos na bíblia, Representam nossos trabalhos, nossos serviços para Deus, O sacerdote tinha que ter mãos perfeitas e hábeis para o trabalho de Deus, As mãos tem um valor fundamental, quando ungimos os enfermos, E quando oramos as pessoas usamos as mão, Que o Senhor nos ajude, No sentido de que tenhamos mãos de verdadeiros sacerdotes de Deus, Para que onde ela tocarem, Deus possa abençoar.

7 ) CORCOVADO.
Não podia ser corcovado. (Lv.21:17-20). O corcunda é aquele que só olha para baixo, devido ao problema físico. No âmbito espiritual, o sacerdote tem que ter a visão do alto. A Bíblia diz “que se nós esperamos em Deus só nesta vida, somos os mais miseráveis dentre os homens”. Aquele que Deus colocou à frente do rebanho precisa ter os olhos em Deus, O Salmista disse: “os meus olhos estão postos em ti (Sl 141:8). Todavia ainda há esperança para quem porventura se curvou a este mundo e não consegue mais olhar para o alto. Jesus é o mesmo que entrou na sinagoga, viu a mulher curvada, chamou para o meio e disse, Livre estar da sua enfermidade (Lc 13.12), e ela pode olhar para o céu.

8 ) ANÃ.
O anão, Não estava qualificado para o Sacerdócio, Pois ele teria dificuldade de alcançar no altar para oferecer o sacrifício, No âmbito espiritual, O obreiro não pode ser anão; precisa crescer espiritualmente, O obreiro jamais deve se conformar com a sua estatura espiritual. Deve ansiar pelo crescimento, existem aqueles que são até contra cursos teológicos, porque dizem que o obreiro vira formalista, É um erro pensar dessa forma, A fonte do crescimento espiritual é a Palavra de Deus (IPe 2:2). A base do crescimento espiritual está no Senhor JESUS (Lc 2:52). Ele crescia em estatura, sabedoria e graça. Para com Deus e os homens; O crescimento é percebido aos olhos de todos, Há obreiros que não crescem, São como crianças (Ef 4:11-16; IIPe 3:18; Cl 2:19)

9 ) BELIDA NOS OLHOS.
E uma mancha esbranquiçada na córnea, que impede a visão. É o que chamamos catarata. A pupila cria uma nevoa deixando o cristalino dos olhos com uma coloração leitosa, Dificultando a visão. Quem tem belida nos olhos tem a visão deficiente, limitada. O sacerdote com esse defeito não estava apto para oferecer o pão no altar de Deus. O homem de Deus não podem ter belida nos olhos, Ele precisa ver com clareza, Ver como via Elizeu e não com via Geazi, só viu derrota. O homem de Deus com belida nos olhos só vê dificuldade, A obra decrescer, A as a falhas dos outros, O inimigos como gigantes, tem a incapacidade de alcançar o alvo. A saúde de nossa alma depende da saúde dos nossos olhos, disse Jesus, (Mt 6:22,23).

10 ) SARNA.
Conhecida cientificamente como escabiose, É uma infecção causada por um parasita, Chamado ácaro, A sarna pode atingir qualquer pessoa; Imaginemos um Sacerdote diante do altar se coçando seria deselegante. Hoje quantos obreiros são uns sarnentos espirituais, Estão cheios desses parasitas, Não trabalham na obra de evangelização, Só vivem passeando e deixando a igreja de lado, são uns verdadeiros acomodados, Não ligam para as ovelhas, não as visitam, estão Cheios desses parasitas. A sarna por ser também contagiosa, ela afasta as pessoas de nós, quem quer ficar perto de um sarnento. Espiritualmente pode estar relacionado com obreiros antipáticos, carrancudos, grosseiros, Quem quer estar ao lado de pessoas com esses parasitas espirituais, com certezas ninguém.

11 - IMPINGEM
A impingem, É causada por um grupo de fungos Dermatófitos; Que podem infectar unhas e pele. Ela é uma doença contagiosa, Quem tinha impinge estava fora de ser sacerdote, No âmbito espiritual, a impinge estar relacionada com a fofoca, obreiros não podem ser fofoqueiros, á obreiros que são uns verdadeiros fofoqueiros, Aquilo que ele escuta as vezes até em seus gabinetes de uma ovelha, ele sai dizendo a outros colegas, o homem de Deus tem que ser vigilantes, não podem contagiar outros com sua fofocas. Temos que contagiar outros com palavras que edifica para glória de Deus.
12 - OS TESTÍCULOS QUEBRADOS.
Fala de homem com deficiência de reproduzir, Gerar filhos. O obreiro precisa injetar a vida de Deus em outras pessoas, por meio do evangelho ter filhos espirituais, Paulo ensina isso em 1Tm 1:2. Fomos chamados a dar frutos (Jo15:16). Os homens com esse defeito estavam desqualificados para o serviço de Deus, Temos que ser frutíferos. Temos que passar pela porta dos peixes primeiro para ser aprovado.

13 - DEFEITOS NA VISÃO.
A visão é um dos cinco sentidos humano, é o mais importante. Esse defeito pode ser causado por acidentes ou de nascimento, são vários os defeitos de visão. O míope - Tem dificuldade de ver de longe. A hipermetropia - dificulta de ver perto. Presbitia ou presbiopia - ou vista cansada, Dificulta ao ver ao longe e perto. As vezes devido a idade. Astigmatismo - Dificulta ver ao longe e perto. Para ser Sacerdote era necessário ter a visão perfeita, Ele precisava ver bem para te eficiência no que fazia. Assim, também, Quem foi chamado ao ministério; Precisa ver bem, não ter visão curta, Visão de vaga lume, precisa ver ao longe, quantos obreiros estão doentes da visão espiritual; Não veem a necessidade de evangelizar, Não enxergam as almas indo para o inferno, não veem a necessidade de fazer missões, estão com os olhos cheios de defeitos espirituais. São obreiros tipos Esaú só veem pratos de lentilhas (Gn 25:34) e tipo o Sacerdote Eli que depois de velho perdeu a visão (1Sm 4:15), sendo assim não educava seus filhos, os quais não respeitavam as coisas Sagradas.

CONCLUSÃO: Que Deus possa a cada dia nos ajudar e dar-nos condições de sermos cumpridores da sua palavra e não ouvintes esquecidos (Tg 1:22). Que possamos dizer como o Salmista: desvenda os meus olhos para que veja as maravilhas da tua Lei (Sl 119:18).

Como Amor, Pr. Alecs!!!


sexta-feira, 17 de março de 2017

Tatuagens? E ai? (Lv 19:1-37)

“Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor (Lv 19:28)”.

O livro de Levítico no Capítulo 19 fala sobre várias lições Morais que muito nos servem e tem a ver com nossos dias, porém existem alguns ensinamentos que como já foi ensinado em capítulos anteriores estão ultrapassados ou então não serve mais para os dias atuais, pois a intenção naquela época era para uma ou outra situação, não poderia eu usar de um texto sem contexto para condenar uma atitude, se estamos aprendendo da forma correta então falaremos da forma correta. O texto de Levítico 19:28 que fala sobre não fazer marcas no seu corpo se refere, dentro do seu contexto, há pessoas que com intuito de adoração a outros deuses, tinham o costume de se cortar, assim causando cicatrizes horríveis e marcas que não mais sairiam, se fossemos trazer para os dias atuais podemos dizer daqueles que na prática de religiões ocultas, se cortam, se autoflagelam, nesse caso estaríamos o mais próximo do que se refere o texto citado. No caso da tatuagem, ela é uma forma de mutilação, com certeza, porém EM ALGUNS CASOS não são “para outros deuses pagãos”, PORÉM analisando a bíblia no contexto geral, ela é bem clara referente a negação do EU, ou seja, quando colocamos NOSSOS DESEJOS, NOSSAS PRIORIDADES NA FRENTE DE DEUS, ESTAMOS CRIANDO UM deus, O “EU”. Nos deparamos com uma EXPLICAÇÃO buscando referências no próprio meio secular, para UM MELHOR ENTENDIMENTO Gostaria de compartilhar o que psicólogo fala sobre tatuagem, diante de Tais colocações faça sua reflexão:

Em uma entrevista, o psicólogo comportamental Kirby Farrel explica por que as pessoas imprimem marcas no próprio corpo: Uma atitude principal é o que você pode chamar de "a antropologia da autoestima e identidade". Penso nas tatuagens como um método que as pessoas usam para tentar se sentir significantes no mundo. As tatuagens são expressões culturais de heroísmo e individualidade. A fantasia de ser especial, único, importante e heroico, que é do que estamos falando, é complicada quando vivemos numa cultura que celebra esses valores. Uma resposta é que somos incrivelmente sociais. Você tem de ter em mente que o eu não é uma coisa, É um evento. Se você está em sono profundo, o eu realmente não existe. A neuroquímica do eu não está ali. Desse ponto de vista, nos sentimos mais reais quando outras pessoas nos afirmam, reasseguram e reforçam nossa identidade. Nos rituais sociais pelos quais passamos, como dizer "Oi, como vai? Bem, e você?", você não espera ouvir qualquer informação pessoal. É só uma confirmação de que vocês dois existem e reconhecem um ao outro. De certa maneira, tatuagens também funcionam assim. Elas chamam atenção para você e fazem você se sentir real, mesmo se essa atenção fizer você se sentir membro de um grande grupo. Uma tatuagem te diz que você é parte de uma tribo de colegas tatuados, uma tribo linda e significativa. Você pode até compartilhar símbolos com outra pessoa! Ao mesmo tempo, por causa do fenômeno das marcas, isso faz você se sentir mais esperto do que o cara ao lado.

Partindo desta análise chegamos a conclusão de que na verdade a pessoa que não tem Jesus precisa se auto-afirmar, nesta terra para ser bem recebido e amado é preciso andar no CURSO DELES, ou seja, no curso do mundo. Porém nós que conhecemos a Cristo, sabemos que o intuito MAIOR é que ELE cresça e que nós diminuamos, Jesus disse: pegue tua cruz e siga-me, também disse negue-se a si mesmo, Paulo disse: esquecendo-me das coisas que para trás ficam, prossigo para o alvo, ou seja, não tenho tempo a perder com outras coisas e muito menos com o meu EGO.

Concluíndo: Uma pessoa que se tatua, tanto frases, como nomes, desenhos e absurdamente até o nome de Deus, com certeza querem chamar a atenção para o deus “EU” e não para o Deus verdadeiro, a mesma coisa os Alargadores e Piercings, além de vir de uma Cultura pagã e que adora outros deuses, é também para chamar a atenção e por isso Necessidade de AUTO AFIRMAÇÃO. Fico com esse versículo: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. (Fp 4:8)”. Tudo nesta vida passa, com o tempo vem o arrependimento daquilo que fizemos, se não o fizemos de acordo com a PALAVRA de Deus que JAMAIS PASSA. Não nos iludamos de que precisamos agradar alguém ou até nossa carne para sermos felizes, pois é a Alegria do Senhor que é a nossa força!

Já não vivo eu, mas cristo vive em mim, FOMOS LIBERTOS… Pr. Alecs!!!

Leia mais sobre a entrevista:  http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/194264/Corpo-marcado-Psicólogo-explica-por-que-as-pessoas-usam-tatuagens.htm

quarta-feira, 15 de março de 2017

QUEM ERA MOLOQUE?

Tal como acontece com grande parte da história antiga, a origem exata da adoração a Moloque não é clara. Acredita-se que o termo Moloque tenha originado com o mlk fenício, que se refere a um tipo de sacrifício feito para confirmar ou absolver um voto. Melekh é a palavra hebraica para “rei.” Era comum para os israelitas combinarem o nome de deuses pagãos com as vogais na palavra hebraica para ‘vergonha’: "bosheth". Foi assim que a deusa da fertilidade e da guerra, Astarte, tornou-se Ashtoreth. A combinação de mlk, melekh e bosheth resultou em "Moloque", que poderia ser interpretado como "o governante personificado de um sacrifício vergonhoso". Ele também foi grafado como Milcom, Milkim, Malik e Moloch. Ashtoreth era sua consorte, e a prostituição ritual era considerada uma importante forma de adoração.

Os fenícios eram um grupo vagamente reunido de pessoas que habitavam Canaã (atual Líbano, Síria e Israel) entre 1550 aC e 300 aC. Além de rituais sexuais, a adoração a Moloque incluía o sacrifício de crianças, ou "passar as crianças pelo fogo." Acredita-se que os ídolos de Moloque eram estátuas de metal gigantes de um homem com a cabeça de um touro. Cada imagem tinha um buraco no abdômen e possivelmente braços estendidos que faziam uma espécie de rampa ao buraco. Um incêndio era acendido em ou em torno da estátua. Os bebês eram colocados nos braços ou no buraco da estátua. Quando um casal sacrificava o seu primogênito, eles acreditavam que Moloque iria assegurar a prosperidade financeira para a família e para as crianças futuras.

A adoração a Moloque não se limitava à Canaã. Monólitos no Norte de África possuem a gravura "mlk" - muitas vezes escrita "mlk'mr" e "mlk'dm", que pode significar "sacrifício do cordeiro" e "sacrifício do homem". No norte da África, Moloque foi rebatizado de "Kronos". Kronos migrou para Cartagena, na Grécia, e sua mitologia cresceu para incluir o seu tornar-se um titã e pai de Zeus. Moloque é afiliado e às vezes equiparado a Baal, embora a palavra ba'al também tenha sido usada para designar qualquer deus ou governante.

Em Gênesis 12, Abraão seguiu o chamado de Deus para ir para Canaã. Embora o sacrifício humano não tenha sido comum em Ur, terra natal de Abraão, ele era bem estabelecido em sua nova terra. Mais tarde, Deus pediu que Abraão oferecesse Isaque em sacrifício (Gênesis 22:2). Mas então Deus distinguiu-se de deuses como Moloque. Ao contrário dos deuses cananeus nativos, o Deus de Abraão abominava o sacrifício humano. Deus ordenou que Isaque fosse poupado, e Ele providenciou um carneiro para tomar o seu lugar (Gênesis 22:13). Deus usou este evento como uma ilustração de como iria fornecer o Seu próprio Filho para tomar o nosso lugar.

Mais de 500 anos depois de Abraão, Josué liderou os israelitas a saírem do deserto em direção à Terra Prometida. Deus sabia que os israelitas eram imaturos e facilmente distraídos da adoração do único e verdadeiro Deus (Êxodo 32). Antes de os israelitas terem sequer entrado em Canaã, Deus advertiu-os a não participarem no culto a Moloque (Levítico 18:21) e repetidamente lhes disse para destruir as culturas que adoravam aquele falso deus. Os israelitas não deram ouvidos às advertências de Deus. Em vez disso, eles incorporaram a adoração a Moloque em suas próprias tradições. Até mesmo Salomão, o rei sábio, foi influenciado por esse culto e construiu locais de adoração a Moloque e outros deuses (1 Reis 11:1-8). A adoração a Moloque ocorreu nos "lugares altos" (1 Reis 12:31), bem como na ravina estreita fora de Jerusalém chamada de vale de Hinom (2 Reis 23:10).

Apesar dos esforços ocasionais por reis piedosos, a adoração de Moloque não foi abolida até o cativeiro dos israelitas na Babilônia. (Embora a religião babilônica tenha sido panteísta e caracterizada pela astrologia e adivinhação, ela não incluía o sacrifício humano.) De alguma forma, a dispersão dos israelitas em uma grande civilização pagã conseguiu finalmente eliminá-los de seus falsos deuses. Quando os judeus retornaram à sua terra, eles consagraram-se a Deus, e o Vale de Hinom foi transformado em um lugar para queimar o lixo e os corpos dos criminosos executados. Jesus utilizou este lugar como uma analogia – o fogo eternamente ardente consumindo inúmeras vítimas humanas - para descrever o inferno, onde aqueles que rejeitam a Deus vão queimar por toda a eternidade (Mateus 10:28).

Moloque ou moleque?

Há poucos dias fui interrogado por um aluno de teologia sobre a relação da palavra portuguesa moleque com o nome hebraico moloque. Este aluno me citou o Dicionário Bíblico Universal que usa o verbete moloque e moleque de modo intercambiável.
Pesquisando o assunto achei um blog onde o autor defende a tese da influencia de moloque em moleque: “Muitos servos do Deus Vivo, homenageiam esse demônio, sem querer e sem saber, ao chamarem suas crianças de Moleque ou ainda cantando “boi… boi… boi… boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta…”
Esse exemplo não é caso isolado no universo evangélico. Reflete o tipo de hermenêutica que muitas vezes impera nas igrejas evangélicas. É o que eu chamo de hermenêutica do senso comum. Acontece que fora à semelhança fonética, moloque, semanticamente falando, não tem nada a ver com a palavra portuguesa moleque. Estão separados histórica e linguisticamente um do outro. Moloch ou Moloque, também conhecido como Malcã era uma divindade pagã do povo amonita em cujo altar era oferecido sacrifício infantil (Lv 18.21). O significado mais provável para este nome era “rei”. Muitas seitas já utilizaram este recurso semântico para criar heresias em cima de palavras semelhantes, a título de ilustração o nome IE-SUS que segunda a seita Testemunhas de Iehoshua vem da palavra pagã “deus porco”.

Já a palavra portuguesa moleque vem da palavra mu’leke no idioma Quimbundo que é uma das línguas bantus mais faladas em Angola, e seu significado é “filho pequeno”. A Wikipédia afirma: “Originalmente era usado apenas em referência à criança negra. Hoje já não se reconhece mais este significado. Durante a escravidão do Brasil, tratar um branco por “moleque” era uma grande ofensa, uma vez que este termo referia-se sempre ao escravo. Atualmente, além de indicar qualquer garoto (às vezes, utilizado para designar a criança levada, travessa, seja ela branca ou negra), também pode ser utilizado (quando em relação a um adulto) para designar um individuo sem vergonha, sem palavra, sem responsabilidade, cujas atitudes são iguais a de uma criança”.


Com Amor... Pr. Alecs!!!


Bibliografia: Gotquestions.org, CACP.

terça-feira, 14 de março de 2017

EU POSSO COMER SANGUE? (Lv 17:1-16).

“Todo israelita ou estrangeiro residente que comer sangue de qualquer animal eu me voltarei contra esse que comeu sangue, e o ELIMINAREI DO MEIO DO SEU POVO. (Lv 17:10)”.

Hoje, comer sangue de animais é pecado? Sendo que a carne é entremeada de sangue? A lei sobre não comer sangue de animais puros foi dada por Deus aos israelitas. O principal objetivo dessa lei era a de o POVO RESPEITAR O SANGUE dos animais, pois eles eram dados como EXPIAÇÃO DOS PECADOS do ser humano (Lv 17. 10-16). Além disso, as leis sobre as restrições alimentares também visavam diferenciar o povo de Deus (os israelitas), dos gentios (os outros povos). Nesse sentido, o povo devia ser santo (separado, consagrado ao Senhor), obedecendo todas as Suas leis.

Em nosso tempo comer sangue NÃO É PECADO. A restrição de comer sangue cai por terra quando Jesus suspende as restrições alimentares a partir da nova aliança de Seu sangue, a ALIANÇA DA GRAÇA que agora incluí os gentios. Por isso, agora não há mais necessidade dessa diferenciação, pois os gentios são incluídos na aliança. Outro fato importante é que, após o sacrifico pleno e perfeito de Cristo, sua expiação, seu sangue derramado, NÃO EXISTE MAIS o sistema sacrificial usando animais ou sangue de animais, FOI ANULADO.

Temos três textos importantes que nos ajudam a compreender melhor a questão: “…porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele [Jesus] puros todos os alimentos (Mc 7:19)”. Como vemos, as RESTRIÇÕES ALIMENTARES já não fazem sentido e foram abolidas por Cristo. Em Romanos 14:1-6 Paulo fala um pouco sobre a questão das restrições alimentares e compara as pessoas presas a elas como ainda “fracos” ou com uma fé ainda frágil. Em outro texto: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir… (Cl 2:16-17)”. Vemos aqui que a questão da “comida” (como vista na lei) é colocada como SOMBRA de algo maior que viria: JESUS CRISTO E A PLENITUDE DA GRAÇA. A questão sobre comer sangue está incluída aqui.

Alguns usam o texto (Eu também acreditava assim): “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde. (At 15:28-29)”, para embasar que devemos nos abster de comer sangue, porém, nesse texto vemos apenas uma MEDIDA DE BOM SENSO visando uma conciliação entre gentios e judeus. Os judeus convertidos deveriam respeitar os gentios convertidos, pois eles, em Cristo, não tinham a obrigação de obedecer aos aspectos cerimoniais da lei. Por sua vez, os gentios não deveriam desrespeitar os judeus que ainda viviam alguns aspectos cerimoniais da lei. Assim, FOI FEITO UM ACORDO para que ALGUNS ITENS FOSSEM RESPEITADOS por todos. Foi algo pontual, focando as principais divergências que eles tinham à época.

Os cristãos podem comer alimento com sangue e carne sufocada?

Muitos crentes sinceros se deparam com dificuldades durante a leitura bíblica. Todavia, como dizia o Dr. Martyn Lloyd Jones, "dúvidas não são incompatíveis com a fé". Deveras vezes, todos nós, nos deparamos com versículos e situações da vida onde não encontramos alguma solução imediata para a dúvida.

Dentre todas as incertezas, está aquela que diz respeito a licitude ou não de se comer alimentos com sangue e carne sufocada. Alguns são os versículos que suscitam tal ponto de interrogação:
- "Toda a pessoa que comer algum sangue, aquela pessoa será extirpada do seu povo" (Lv 7.27);
- "Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrine entre vós, comerá sangue" (Lv 17.12);
- "Tão-somente o sangue não comereis; sobre a terra o derramareis como água" (Dt 12.16);
- "Somente esforça-te para que não comas o sangue; pois o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne" (Dt 12.23).

Antes de entendermos tal questão, é preciso fazer uma ressalva que, confesso, me deixa intrigado. Permita-me, o leitor, um brevíssimo desabafo.

Comumente os evangélicos cometem o grave pecado de afirmar que a Lei de Deus, isto é, as leis civis do povo de Israel do Antigo Testamento, não são mais válidas para nós - quando, no entanto, Cristo foi cristalino em dizer: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17). Ele mesmo disse que era a Lei e os verdadeiros profetas eram Sua boca: "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). Porém, embora tais pessoas digam que a Lei não está mais em vigor (somente porque não conseguem vê-la sendo aplicada), frequentemente fazem proibições aos membros e à igreja usando a própria Lei! Ora, isto é um disparate profundo! Ou a Lei é válida, dentro do correto entendimento, ou não é!

Bem, exposto o que me deixa intrigado (mas sei que não somente a mim), destrinchemos a questão.

O Antigo Testamento trabalha com formas visíveis que expressam realidades invisíveis. Por exemplo, o tabernáculo e o templo eram Cristo prefigurado, a saber, apontavam para o Cristo que viria (Mt 26.61); as leis de separação de animais, sementes e tipos de tecidos (Lv 19.19), ensinavam ao povo que eles deveriam ser separados ao Senhor (Lv 26.12); o ano do jubileu, tempo em que se restituía a terra àqueles que a haviam vendido para pagar dívidas (Lv 25.13), era uma demonstração do perdão dado por Cristo e do amor que une os irmãos (Jo 13.35). Assim, seguindo esta mesma sequência, temos as referências ao não comer sangue.

O primeiro fato que devemos notar é o sangue não ser o mal em si mesmo. O sangue não poderia ser a malignidade por si só, pois se assim fosse, os sacerdotes não seriam instados a aspergir sangue no templo (Lv 7.14) de Deus. Se a substância "sangue" fosse pecaminosa, de modo algum o Senhor a requereria de Seu povo.

O segundo fato é o sangue ser uma figura que indica vida: "Somente esforça-te para que não comas o sangue; pois o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne" (Dt 12.23 - grifo meu). Notemos que é uma "figura", algo que remete à vida. Bem sabemos que a vida não está somente no sangue. Uma gota de sangue na estrada não indica que há um ser humano, literal e completo, na partícula. Nosso corpo é formado de muitas "juntas e medulas" (Hb 4.12), "De pele e carne" (Jó 10.11a), "de ossos e nervos" (Jó 10.11b)...

O terceiro fato diz respeito à necessidade, assim como nas leis de separação de sementes e demais coisas, do povo ser instruído a valorizar o sacrifício. Lembremos que o povo de Israel convivia constantemente oferecendo holocaustos (ofertas totalmente queimadas), os sacerdotes degolavam animais (Lv 4.15) e criaturas eram frequentemente oferecidas em sacrifícios ao Senhor.

Assim, Deus havia proibido o comer/beber do sangue, não por uma propriedade intrinsecamente má no sangue, mas, sim, por causa da necessidade do povo aprender a não confundir e se perder na leviandade.

Este fato pode ser provado com os elementos da ceia sob a luz do Novo Testamento (leia 1 Coríntios 11). Nenhum cristão, durante a ceia, crê que os elementos sejam literalmente o sangue de Cristo [1], mas nem por isso é displicente com eles - não se põe a ficar "fazendo bolinha" com o pão ou erguendo o cálice para admirar a textura do vinho contra a luz. Por que assim não se procede? Porque o momento é diferente; mesmo que os elementos sejam os mesmos usados nas casas, para os jantares e confraternizações, naquele momento eles representam algo mais importante. Cuida-se para não banalizar o significado, não o elemento.

Desta forma, quando lemos na Escritura que não dever-se-ia comer sangue, o propósito era ensinar os judeus sobre a necessidade de serem santos (que significa ser separado) ao Senhor, não ingerindo o líquido que o Senhor requeria para apontar o perdão dos pecados em Cristo Jesus (Hb 10).

Portanto, hoje, nós cristãos do Novo Testamento, podemos livremente comer qualquer coisa com sangue (uma carne "mal passada" ou galinha ao molho pardo, por exemplo), pois não mais vivemos nas sombras do que os elementos tipificavam, e sim na luz, às asas do Altíssimo. O sangue, sim, para sempre continuará a significar "vida" (tanto que somos instados a somente o utilizar na ceia, a fim de seguirmos o padrão bíblico), mas não mais como motivo de separação. Pelo sangue de Cristo estamos unidos a Ele, de modo que o sangue, o líquido, não deve ser proibido aos cristãos.

O que dizer, por fim, do versículo, "Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes" (At 15.29; 21.15)? Para entendermos, é preciso analisar o porquê da recomendação apostólica.

No início do capítulo 15 é relatado que, "alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15.1). Aqueles cristãos advindos do judaísmo não se conformavam com o fato de não haver mais necessidade de circuncisão física, pois agora ela se dava no coração (Rm 2.29). Havendo, então, esta dificuldade para conciliar a vida de judeus convertidos com gentios convertidos, "Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto" (At 15.16).

Tal assunto não foi facilmente resolvido, de modo que lemos haver ocorrido "grande contenda" (At 15.7) até mesmo entre os apóstolos e anciãos (demais presbíteros reunidos). Pedro se levanta em meio à assembleia e relembra aos irmãos, "que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem... dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?" (At 15.7-10). A razão para isso era a referência à Lei, que nos dizeres do escritor de Hebreus: "(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou)" (Hb 7.19). Os judaizantes estavam tentando persuadir aos convertidos de que a observância da Lei, por si mesma, seria a causa da salvação - e nisto estavam errados.

Com isso em mente e a discussão em pauta, "tomou Tiago a palavra, dizendo: Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome... Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue" (At 15.13-14, 19-20).

Qual é, pois, a solução para nosso problema? Muito simples. Uma vez que a Igreja de Deus florescia com judeus e gentios vivendo conjuntamente, era necessário estabelecer um padrão, de modo que os judeus não se escandalizassem pela não prática de certos ritos da Lei que haviam cessado em Cristo e, também, de maneira a não levar os gentios (todos os outros povos que não eram judeus) a viverem licenciosamente, como se nada devessem observar.

Este mesmo princípio, a saber, o de não ser escândalo para o próximo, foi aventado pelo apóstolo: "Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13). Ora, uma vez que a Bíblia não pode se contradizer e notro lugar lemos, "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16-17), o entendimento só pode ser um: que o motivo pelo qual os crentes do início do Novo Testamento deveriam se abster de sangue e carne sufocada, não era pela natureza em si dos elementos ou pela forma como ela era obtida, e sim para evitar o escândalo e promover a unidade. Tal qual Paulo estava disposto a nunca mais comer carne (sacrificada a ídolos [veja os versículos anteriores de 1Co 8.13)], caso isto trouxesse consequências na vida dos irmãos mais fracos na fé, bem faremos se de igual modo procedermos.

Que este breve estudo, pela graça e misericórdia de Cristo, o salvador de todos os Filhos de Deus, no qual as cerimônias sangrentas (assim chamadas devido ao sangue) e todas as outras que envolviam prefigurações, foram encerradas e definitivamente substituídas pelo novo Adão, possa, longe de nos levar à devassidão, acima de tudo, nos instar a amar a Deus e ao próximo nos laços fraternais de Jesus.

Louvemos ao Senhor pelo precioso Sangue de Cristo e não temamos o comer e o beber.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

Editado em 17/02/2016: em verdade, o que escorre da carne mal passada, por exemplo, sequer chega a ser sangue, conforme pode ser visto neste link.

Nota: [1] Esta heresia se chama transubstanciação (católica romana) ou numa hipótese tão ruim quanto, a consubstanciação (luterana).

Hoje, portanto, superada essa fase, certas coisas não são proibidas aos Cristãos... Pr. Alecs!!!


Bibliografia: Bíblia Arqueológica, Pb. André Sanchez, Filipe Luiz C. Machado

terça-feira, 7 de março de 2017

Apresentação ou Consagração de Crianças. O que significa?

Nós não temos por hábito o batismo de crianças, mesmo sabendo que seja praticado por várias igrejas do cristianismo mundial, e as respeitamos. Porém, preferimos ficar com o exemplo de Jesus e o que se sucedeu em Sua vida.

Jesus aos quarenta dias de idade, foi levado ao templo por José e Maria (Lucas 2:22-24), para ser consagrado ao Senhor como ensinava a Lei de Moisés.(Êxodo 13:2,13)

Nas Sagradas Escrituras não há nenhum ensinamento ou exemplos que autorizem o batismo de crianças. Conforme ensinamento do Novo Testamento, o candidato ao batismo deve ter se arrependido de seus pecados (Atos 2:38), e ter crido em Jesus Cristo (Atos 8:37). Aqueles que ainda não podem fazer o uso completo da razão, não estão em condições de cumprir esses dois requisitos. As crianças estão nesta condição. Por outro lado, as Escrituras ensinam acerca da apresentação pública das crianças a Deus, durante a qual pedimos ao Senhor que abençoe as crianças e a vida que elas terão pela frente. Quando assim procedemos, estamos seguindo a prática admitida pela Igreja de todos os tempos. Não é o batismo em água, e sim uma apresentação de crianças a Deus, uma ação de graças e de fé, uma súplica pela bênção divina.

Para a criança, esse ato não tem significado algum, pois ele nem sabe o que está acontecendo! Ele tem grande significado e muita responsabilidade para os pais cristãos!Por quê? Porque estes, no ato da consagração de seus filhos se comprometem publicamente e diante de Deus, que estarão se esforçando ao máximo para educar aquela criança nos caminhos do Senhor.

Há uma idéia errada de se trazer uma criança à igreja para ser apresentada ou consagrada a Deus, porque ela poderá morrer pagã.

Muitas vezes os cristãos dizem aos amigos que tiveram um bebê, e este está doente ou com algum tipo de problema, para levá-lo à igreja a fim de ser apresentado, porque assim ele melhorará ou ficará curado. Esta é uma idéia errada, como uma atitude errada, pois não tem o caráter da adoração. Somente os pais verdadeiramente cristãos devem apresentar ou consagrar seu bebê a Deus. Por que?

Primeiro: Somente os pais cristãos têm a exata noção do que já comentamos acima, acerca do estado de consciência do seu bebê.

Segundo: Eles compreendem o princípio espiritual da mordomia cristã (administrar com sabedoria e respeito, tudo aquilo que Deus nos dá ou empresta). Tudo o que Deus nos dá é um empréstimo. Na verdade nada é nosso nesta vida. Tudo é Dele! Cuidamos do nosso corpo, porque ele é o Templo do Espírito Santo. Procuramos não usar roupas sensuais porque queremos dedicar a parte externa do nosso corpo, a fim de não despertar desejos ilícitos às outras pessoas. Se compramos um carro, uma casa, um televisor, ou qualquer outra coisa, administraremos estas coisas para agradar ao Senhor, pois foi com a ajuda Dele que as conseguimos. Perceba que tudo o que possuímos, usamos para o nosso prazer, mas voluntariamente as devolvemos a Deus, num modo respeitoso como as usamos. Assim fazemos com o nosso dinheiro quando damos o dízimo. Tiramos dez por cento do nosso dinheiro e o levamos à casa do Senhor. (Gn.14:20; 28:20-22; Ml.3:8,10; Mt.23:23; Lc.11:42) Com a criança é a mesma coisa. Ela veio com a permissão de Deus. Foi a vontade de Deus que ela viesse. Portanto os pais devem ensiná-la nos caminhos de Deus. (Provérbios 22:6)

Terceiro: A atitude interior dos pais ao consagrar seu bebê em oração deveria ser:"Nós, pais de........, declaramos diante da igreja e do Deus de nossas vidas, que aceitamos esta criança vinda da parte do Senhor, e a estamos devolvendo a Ti ó Santíssimo, para que a tomes em teus braços, pois ela é tua. Esta criança é filho dos teus filhos, é a tua herança na terra e nos céus ó Senhor, para que por meio dela o mundo conheça a Ti como o Único e Verdadeiro Deus.
Por isso pedimos a tua proteção sobre ela, e principalmente sobre nós, para que possamos educá-la nos Teus Caminhos. Nos ajude a compreender melhor a Tua Palavra, para que em nossa casa possamos compartilhá-la com esta criança no período de seu crescimento, a fim de que ela, atingindo a idade da razão, venha aceitar voluntariamente a Ti Jesus como Salvador e Senhor de sua vida, desejando batizar-se nas águas como nós desejamos e fomos. Que ela tenha o desejo de seguir voluntariamente a Ti como nós temos feito, realizando a Tua grande obra na terra como nós a temos realizado, que é a de mostrar às pessoas a salvação em Jesus Cristo o Messias prometido. Que ela ame a tua Igreja como nós a amamos. Que ela sinta prazer de estar sempre com os irmãos na fé para Te servir e reconhecer a Tua maravilhosa presença. Que ela nunca se aparte dos teus ensinamentos enquanto viver sobre a terra, seja na enfermidade ou na saúde, na riqueza ou na pobreza. Nós pais Te engrandecemos e Te agradecemos por esta criança. Que ela seja uma bênção para nós, para a Tua Igreja como para Ti enquanto viver no Nome de Jesus. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Com Amor... Pr. Alecs!!!

Fontes: http://opregadorfiel.blogspot.com/2009/12/apresentacao-de-criancas.html

http://www.comunidadehebrom.com.br/site_novo/a_igreja/praticamos/praticamos.asp?ac=1&si=3

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

É correto usar o dízimo para sustentar pastores?

Um dos assuntos mais discutidos e controversos da fé cristã é em relação aos dízimos e ofertas. Mesmo quem frequenta a igreja há algum tempo tem dúvidas sobre como deve ser a contribuição e a administração financeira da igreja evangélica. Alguns não entendem por que os evangélicos dão o dízimo, outros questionam o destino do dinheiro arrecadado nas igrejas. Neste texto fizemos um levantamento baseado na bíblia sobre o uso dos dízimos e ofertas, pois muitos cristãos questionam se é correto um pastor (presbítero, ou qualquer outro líder de igreja) ser sustentado pela igreja. Não é o objetivo do presente texto explicar o porquê dos dízimos e ofertas, mas focar o texto na utilização das finanças da igreja.

Para ler mais sobre o dízimo e as ofertas, leia também:

Origem dos dízimos e ofertas
Lobos em pele de cordeiros

Acredito que o maior motivo desta dúvida pairar no pensamento do crente é porque ouvimos falar de muitos líderes que acabam utilizando o dinheiro arrecadado com o dízimo da igreja para fins de ostentação e enriquecimento pessoal. Também, infelizmente, não é raro pessoas se engajarem na vida ministerial visando uma forma de sustento próprio e não como um chamado de Deus. Curiosamente, na igreja primitiva já existiam tais parasitas, como podemos ver em 2 Pedro 2:3.

Diante disso, eliminando os motivos errados, vamos começar nosso estudo bíblico levando em consideração que estamos falando de membros das igrejas evangélicas e não visitantes, pois o visitante deve ser estimulado a contribuir apenas se quiser.

O instruído e o instrutor

No texto que se estende de Gálatas 6:6 a Gálatas 6:10 podemos ler a orientação de que o cristão deve contribuir  para o sustento do líder da igreja. No versículo seis, o termo “faça participante de todas as coisas” era uma orientação para que houvessem contribuições materiais pelo sustento daquele que instrui à Palavra.

A orientação neste caso é bem clara: “E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui”, Gálatas 6:6. Atualmente, não é necessário repartir todos os bens, para isso existe o dízimo.

Os que são instruídos devem ajudar no sustento daquele que instrui, pois é isso que se espera de um discípulo, que ele demonstre sua gratidão com ajuda material na vida de seu líder espiritual. A orientação em Gálatas 6:10 também é clara sobre o dever que temos de ajudar a comunidade na qual estamos inseridos, mas priorizar aqueles que seguem nossa fé, por isso é importante que as igrejas mantenham as obras sociais, para que os fiéis possam colaborar na obra da igreja e não precisem ajudar com obras sociais vinculadas a outras denominações religiosas.

Se você ainda não achou este texto claro, vamos dar uma passada em 1 Coríntios 9. O capítulo todo é bem interessante, mas vamos focar nos versículos 7 a 14, para compreender melhor como administrar o dízimo.

“Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo. Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho”.

Paulo orienta a igreja de Corinto a compartilhar os bens com os que pregam o evangelho. O texto é ainda mais radical na referência que faz ao compartilhar de tudo, o que demonstra como os cristãos foram orientados a colaborar pelo sustento de seus líderes religiosos, esta é a função dos dízimos e ofertas.

O trabalhador é digno de seu trabalho

A frase acima é uma referência a Lucas 10:7 e está em 1 Timóteo 5:18. Ao lermos 1 Timóteo 5:17 e 18 vemos que o autor revela que devemos contribuir financeiramente com os presbíteros da igreja, pois, como diz o texto, eles se fadigam de pregar o evangelho, além disso, primam pela igreja, pelo bem estar dos fiéis e consolam seus irmãos. O termo “dobrado honorário” também pode ser lida como dupla honra, que seria uma analogia ao dever do cristão de honrar seus líderes com respeito e financeiramente. No contexto desta passagem, acredita-se que a igreja passava por algumas dificuldades financeiras e estava ficando difícil os presbíteros viveram apenas da obra. A oferta do povo, inclusive o dízimo, serviria para ajudar aquela liderança.

Ofertar com amor

Existem diversas referências bíblicas sobre o sustento dos líderes da igreja. Passagens que orientam o cristão a sustentar seu líder, para que este viva focado na pregação do evangelho e servindo à igreja. No entanto, ressaltamos que devemos sempre agir com fé e amor, entendendo que nossos dízimos e ofertas serão administradas para o bem da igreja e não para satisfação de oportunistas.

O textos de Hebreus 11:6 e Romanos 1:17 falam da importância de realizarmos todas as obras por amor a Deus acima de tudo mais.


Da próxima vez que você separar o dízimo, lembre-se que você está sendo fundamental para a continuidade da igreja cristã.

Fonte: http://www.materialgospel.com.br/e-correto-usar-o-dizimo-para-sustentar-pastores/

Com Amor Pr. Alecs!!!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ROSTO DESVENDADO - A Realidade sobre o Véu na Face de Moisés



Quero iniciar este estudo dando os devidos créditos a quem me ajudou a enxergar estas verdades. Ouvi esta abordagem pela primeira vez e aprendi este princípio com o pastor Lawrence Khong, de Singapura, em uma ministração ocorrida em novembro de 1997, na cidade de Londrina, Paraná. Usarei vários textos bíblicos diferentes da mensagem que ouvi, farei outras aplicações e ilustrações, mas a ideia central acerca do comportamento de Moisés que apresentarei é a mesma da pregação que ouvi anos atrás. Portanto, agradeço e glorifico a Deus por aquela mensagem e pela vida do irmão Lawrence que, não apenas me abençoou na ocasião, mas ajudou-me a perceber uma verdade que se transformaria num trilho importante em minha caminhada espiritual e ministerial.

Tudo começa com um comportamento específico de Moisés, destacado (e condenado) pelo apóstolo Paulo:

“E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Coríntios 3.13,18)

Ao dizer “não somos como Moisés”, o apóstolo Paulo não está falando de uma virtude do grande libertador de Israel. Essa seria a parte fácil de entender na vida e no comportamento de Moisés. Ele foi o maior vulto do Antigo Testamento. Alguém de quem Deus disse estar acima dos profetas. Alguém que profetizou a vinda do Messias nos seguintes termos: “Deus há de levantar um profeta semelhante a mim”.

O fato é que Paulo está apontando para um erro desse grande líder. Ele fala claramente de uma atitude de fingimento, de falta de transparência. Na verdade, esta é a razão que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, atribui ao uso do véu por parte de Moisés.

E este erro não é exclusividade de Moisés; na verdade, é algo que todo líder (para não dizer todo cristão), em algum momento, também se encontrará lutando para não cometer.

POR QUE MOISÉS COBRIA O ROSTO?

Quando criança, debaixo da influência dos ensinos da escola bíblica dominical, eu achava que Moisés punha o véu sobre seu rosto para que as pessoas não se assustassem com seu rosto brilhando… ou seja, para que não vissem a glória! Mas Paulo desmente este mito e afirma que a razão do uso desse véu por parte desse grande líder era justamente o contrário: para que os israelitas não vissem que a glória estava sumindo!

Ao olharmos atentamente para o relato bíblico no livro de Êxodo, isto fica bem claro:

“Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele. Olhando Arão e todos os filhos de Israel para Moisés, eis que resplandecia a pele do seu rosto; e temeram chegar-se a ele. Então, Moisés os chamou; Arão e todos os príncipes da congregação tornaram a ele, e Moisés lhes falou. Depois, vieram também todos os filhos de Israel, aos quais ordenou ele tudo o que o Senhor lhe falara no monte Sinai. Tendo Moisés acabado de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto. Porém, vindo Moisés perante o Senhor para falar-lhe, removia o véu até sair; e, saindo, dizia aos filhos de Israel tudo o que lhe tinha sido ordenado. Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, viam que a pele do seu rosto resplandecia; porém Moisés cobria de novo o rosto com o véu até entrar a falar com ele.” (Êxodo 34.29-35)

Embora as pessoas tenham se assustado ao ver o rosto de Moisés resplandecendo, o texto sagrado nos revela que ele lhes falou de cara limpa, sem véu algum. O homem de Deus colocou o véu somente depois de falar aos israelitas. E fez isto não só na primeira vez em que seu rosto brilhou; toda vez que ele saía da presença do Senhor o comportamento se repetia: 1) falava ao povo as palavras de Deus; 2) o povo via que seu rosto brilhava; 3) depois de falar e do povo ver que seu rosto brilhava, Moisés cobria a face com um véu até entrar na presença do Senhor e de novo sair com a cara resplandecente da glória divina.

A razão apresentada por Paulo na Epístola aos Coríntios é que Moisés não queria que os israelitas vissem que a glória estava sumindo. Aquela manifestação de glória experimentada pelo homem de Deus não era permanente. Cada vez que esse grande líder de Israel entrava na presença de Deus, recebia uma “recarga” de glória. Mas entre uma ida e outra, a glória desvanecia. E Moisés, como líder que já havia aparecido em público com o rosto brilhando, não queria que as pessoas vissem que a glória estava sumindo.

Para muitos líderes, depois de terem brilhado diante do povo, a grande dificuldade é serem vistos sem glória, sem unção. Há, dentro de muitos de nós, uma desesperada disposição de esconder nossas fraquezas e limitações. Esta é uma das “doenças” que pode atingir os líderes: o complexo de super-herói. Quando estamos cheios da glória exibimos o rosto resplandecente para todo o mundo; quando não temos, encobrimos o rosto (com um véu de engano) para que as pessoas pensem que ainda estamos brilhando – mesmo que, de fato, já não estejamos.

Este erro tem nome: dissimulação. E penso que pior do que errar é querer encobrir isso! Essa atitude é antiga; começou com Adão e Eva. A dificuldade do primeiro casal em admitir seu pecado fez com que eles se escondessem:

“Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim”. (Gênesis 3.7,8)

Este parece ser um padrão de comportamento do ser humano desde o início da humanidade. E repetidamente é visto na vida de líderes que, mais do que qualquer outra pessoa, devido ao seu nível de exposição pública e da responsabilidade de serem homens (ou mulheres) de Deus, não querem que ninguém, nunca, veja qualquer traço de fraqueza ou pecado em suas vidas.

Foi exatamente isto o que aconteceu com Davi. Ele cometeu pecado ao adulterar com Bate-Seba, mas isto não ofuscaria sua imagem até que a mulher lhe deu a notícia da gravidez resultante do erro deles. Então, a tentativa de encobrir o pecado cometido só deixou pior a situação. O pecado progride de adultério a homicídio, com a consequente perda do filho gerado (2 Sm 11.6-25). Se o rei Davi tivesse reconhecido seu pecado, em vez de fazer de tudo para esconder seu erro, a história teria sido bem diferente e as consequências não tão graves.

Mas, como o homem que foi visto como herói nacional, aquele que as mulheres recebiam com cânticos em seu retorno das guerras, o ungido de Deus, seria avaliado pelo povo que liderava quando se mostrasse sem o brilho de Deus em sua vida?

É lógico que o líder deve ser exemplo, modelo para o rebanho, e que deve cuidar para não perder nunca o exemplo. Ele deve vencer suas fraquezas; o que ele não pode é tentar esconder as fraquezas que já o venceram!

Quando um líder cristão esconde uma fraqueza, uma limitação (e nem estou falando de pecado agora), sua atitude pode parecer qualquer outra coisa, mas ainda é dissimulação!

O apóstolo Pedro, um homem de grande estatura espiritual, uma das colunas da Igreja, quando esteve em Antioquia, acabou demonstrando esta inclinação ao fingimento para que sua imagem não ficasse “arranhada” diante dos demais líderes em Jerusalém:

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”  (Gálatas 2.11-14)

O assunto em questão não era esconder um pecado; somente um ponto de vista, uma opinião, um nível de liberdade que Pedro desfrutava no relacionamento com os gentios e que, obviamente, os irmãos que vieram de Jerusalém a Antioquia não concordavam. O que Pedro fez foi denominado por Paulo como um ato de dissimulação, de fingimento. Ele ainda destaca o fato de que “não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho”.

Assim como outros homens de Deus, como Moisés e Davi, o apóstolo Pedro estava preocupado com sua imagem. O que diriam a seu respeito se soubessem do convívio com os gentios? Líderes tendem a não querer mostrar fraqueza, mesmo se nem for fraqueza de fato, se só puder ser interpretada como tal.

Mas ao dizer “não somos como Moisés, que punha véu sobre a face”, Paulo mostra que, por haver entendido as consequências deste ato, ele preferiu agir com absoluta honestidade em todo o seu comportamento cristão:

“Mesmo que eu preferisse gloriar-me não seria insensato, porque estaria falando a verdade. Evito fazer isso para que ninguém pense a meu respeito mais do que em mim vê ou de mim ouve”.  (2 Coríntios 12.6 – NVI)

Ao examinar o contexto desta afirmação, vemos que Paulo estava falando sobre suas experiências com as visões celestiais. Em outras palavras, o apóstolo estava declarando: “Eu poderia impressionar as pessoas contando minhas experiências com Deus, mas não quero que o conceito delas a meu respeito se baseie nisso. Quero que só pensem acerca de mim o que pode ser visto, de forma simples, no convívio diário”. Ele diz claramente: “Eu evito que pensem que sou mais do que aquilo que realmente sou”.

Penso que entendo um pouco dessa atitude de Paulo, observando o exemplo de um pastor muito amigo meu: o Francisco. Quando eu tinha apenas três anos de idade, ele teve uma experiência extraordinária. Foi arrebatado em espírito por sete dias! Deitou-se para dormir num domingo à noite e, de repente, um anjo entrou em seu quarto declarando ter sido enviado da parte do Deus Altíssimo com o propósito de mostrar-lhe algumas coisas; tomou-o pela mão e partiu para o que gosto de chamar de um “tour celestial”. O Francisco “voltou” desse arrebatamento uma semana depois, na tarde do próximo domingo. A família, durante esse período, e devido ao fato do Francisco não acordar, chegou a chamar um médico que, ao examiná-lo, disse que todos os sinais vitais estavam bem e os aconselhou a esperar.

As coisas que o pastor Francisco viu e ouviu durante esse tempo são surpreendentes. Quando conheci esse querido irmão e soube dessa experiência, questionei porque ele quase não falava sobre isso. Ele me respondeu que fomos chamados para pregar a Palavra de Deus, não nossas experiências. Insisti que as experiências poderiam ser contadas como uma forma de ilustrar e aplicar as verdades bíblicas, não de substituí-las, e, na impetuosidade comum à mocidade, disparei: “Se fosse eu que tivesse passado sete dias no céu, já teria escrito um livro”. Diante disto, o Francisco apenas rebateu: “É por isso que você nunca foi. Esse tipo de experiência não é para fofoqueiro como você”. Minha vontade era dizer: “Desculpe a vergonha que passei”, mas entendi que o silêncio era a melhor forma de encerrar aquela conversa…

Compartilhei isso porque, à semelhança de Paulo, o pastor Francisco me ensinou muito sobre não fazer os outros pensar que somos mais espirituais do que o que realmente somos. Ele sempre me dizia que o “o homem de Deus” que ele era tinha que ser visto na simplicidade do relacionamento diário, não numa encenação exagerada de espiritualidade.

Diferente de Moisés, e de muitos de nós, Paulo preferia tirar a máscara e se apresentar da forma mais sincera e autêntica possível. E há uma razão para esta postura firme do apóstolo, que abordaremos melhor mais à frente: sem transparência e honestidade não há transformação!

O apóstolo Paulo valorizava muito este princípio, não só em sua própria vida como também na vida daqueles em que investia no discipulado. Muitas eu me perguntava: o que Paulo viu em Timóteo que o atraiu tanto? Esse discípulo precisou ser encorajado várias vezes a não negligenciar os dons que recebeu, a não deixar ninguém desprezá-lo pelo fato de ser jovem, e, além disso, não temos registros históricos de grandes conquistas ministeriais da parte dele. Então, o que será que Paulo enxergou nele que produziu uma identificação tão grande? Hoje a resposta me parece clara: uma fé sem hipocrisia:

“Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia.”  (1 Timóteo 1.5)

Outras versões usam as expressões “fé sem fingimento” ou “fé sincera”. Em sua segunda epístola a Timóteo, Paulo destaca novamente a fé sem hipocrisia (2 Tm 1.5), desta vez atribuindo-a diretamente à pessoa de Timóteo. Isto tudo mostra o quanto o apóstolo levava a sério a questão da transparência, da honestidade e da autenticidade.

AS CONSEQUÊNCIAS DE SE COBRIR O ROSTO

Algo assustador que percebo no ensino de Paulo, e que deve servir de forte advertência contra o uso do véu sobre o rosto, é que o “véu do engano” que um líder usa pode ser transmitido para os seus liderados e discípulos:

“Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado.”  (2 Coríntios 3.14-16)

Observe a expressão “o mesmo véu permanece”. O apóstolo Paulo escreveu essa epístola cerca de mais de um milênio e meio depois de Moisés. No entanto, ele diz que “até os dias de hoje” o “mesmo véu permanece”. É lógico que ele não está falando do mesmo pedaço de pano físico usado pelo grande legislador de Israel. Até porque o texto diz que “o véu está posto sobre o coração deles”, afirmação que concede uma conotação espiritual a esse véu.

A Palavra de Deus nos revela que a atitude de fingimento de Moisés passou a operar (na forma de engano espiritual) no coração dos israelitas – que se orgulhavam de ser discípulos de Moisés (Jo 9.28). Líderes que decidem andar em dissimulação podem estar transferindo um péssimo legado aos seus liderados e discípulos.

Por outro lado, também encontramos na Bíblia o fato de que uma “fé sem fingimento” também pode ser transmitida de geração em geração:

“Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti.”  (2 Timóteo 1.5)

A fé sem fingimento que Paulo elogia na vida de Timóteo, seu filho espiritual, vinha sendo transferida por diferentes gerações: da avó Lóide para a mãe Eunice e, finalmente, da mãe Eunice para o filho Timóteo. Esse é o legado que os pais deveriam transmitir aos seus filhos e que cada líder deveria transferir aos seus liderados.

Essas consequências, ao meu entender, já deveriam trazer suficiente temor aos nossos corações de modo a que não venhamos incorrer no mesmo erro de Moisés. Entretanto, há um motivo que deveria gerar ainda mais temor aos que recorrem ao uso do véu em seu rosto. É que, sem desvendar o rosto, não há transformação a ser experimentada pelo poder de Deus.

A GLÓRIA VEM QUANDO SE REMOVE O VÉU

A transformação só acontece com o rosto desvendado. Se não “tirarmos a máscara”, seguramente o poder transformador operado pelo Espírito Santo não irá se manifestar:

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.”  (2 Coríntios 3.18)

Você já percebeu a intensidade e a velocidade de transformação que se dá na vida de um novo convertido? Porém, em algum momento na caminhada, o processo de transformação e mudança de vida começa a estagnar. E não é porque o processo – de se conformar com a imagem de Jesus – já tenha se completado!

Depois de mais de vinte anos de ministério, observando o comportamento dos cristãos, posso dizer que isso é um fato. A transformação na vida dos crentes em geral parece perder sua força com o passar do tempo. E penso que uma das grandes razões para isso é que, no início da vida cristã, após a conversão, todos reconhecem as áreas que precisam tanto de mudança e se alegram por toda transformação alcançada (e até testemunham). Porém, depois de um tempo e de muitas vitórias alcançadas, quando o crente começa a ser reconhecido pelos seus irmãos como alguém mais maduro e espiritual, a tendência é não ser mais tão transparente ou sincero a respeito das falhas. E isso vem desde os tempos bíblicos!

Observe, por exemplo, o que aconteceu quando a Palavra de Deus foi pregada em Éfeso:

“E muitos dos que haviam crido vinham, confessando e revelando os seus feitos. Muitos também dos que tinham praticado artes mágicas ajuntaram os seus livros e os queimaram na presença de todos; e, calculando o valor deles, acharam que montava a cinquenta mil moedas de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.”  (Atos 19.18-20)

Por que a Palavra de Deus crescia e prevalecia em Éfeso?

Não foi apenas porque foi pregada, e sim, porque as pessoas, depois de receberem a pregação, reconheciam e até mesmo confessavam publicamente os seus pecados! Estude cada avivamento na história e você descobrirá que houve confissão de pecados. Este é o ponto. Quando as pessoas reconhecem suas fraquezas, o poder do Espírito Santo pode se manifestar nelas. Isso é doutrina bíblica!

Deus só opera o seu poder transformador quando reconhecemos as áreas problemáticas, e apenas naquela área que admitimos nossos pecados. Veja o que aconteceu com o profeta Isaías quando teve uma visão do Senhor no templo:

“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado”.  (Isaías 6.5-7)

Já ouvi muitas vezes a pergunta: “qual o mistério do toque na boca?” E sempre respondo que não há nenhum mistério; foi a oração que o profeta fez reconhecendo impureza em seus lábios. Se a oração de Isaías fosse “sou um homem de olhos impuros”, então o toque santificador viria sobre os olhos. Meus filhos, em um de nossos cultos domésticos, afirmaram que, seguindo essa lógica, alguns crentes precisam de um “banho de brasas”!

Essa é uma verdade bíblica incontestável. Deus só age nas áreas em que reconhecemos nossos pecados. O Senhor Jesus ensinou sobre este princípio:

“Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam. Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.”  (Marcos 2.15-17)

Quando, nesta alegoria, Jesus se compara a um “médico”, está falando de si como Salvador; quando fala do “doente” (que precisa da cura do médico) está falando do pecador (que precisa do perdão do Salvador). Porém, quando fala do “são”, não está se referindo a alguém que, por ser justo não precise do Salvador, pois as Escrituras abordam este assunto com clareza: “como está escrito: não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10). Se não há ninguém que possa ser justo sem Cristo, quem é esse “são” que não precisa de médico na parábola contada por Jesus? O texto não fala de alguém que seja realmente “são” (justo), mas de alguém que, porque acha que é justo, não reconhece a necessidade do Salvador. Ou seja, não há salvação sem arrependimento e reconhecimento de pecados.

E assim como na conversão, este princípio permanece em toda a vida cristã. Quando desvendamos o rosto, somos transformados. Quando dissimulamos, aparentando não ter pecado algum, a transformação simplesmente não pode acontecer. O Espírito Santo só manifestará seu poder transformador naquelas áreas que expusermos a Ele de forma sincera e honesta. Porém, além de reconhecer fraquezas diante de Deus (que já sabe delas, quer a gente admita ou não), também vejo a necessidade de fazermos isso diante dos homens.

Há uma diferença entre confessar seus erros a Deus e fazê-lo aos homens. Podemos afirmar que o perdão vem com a confissão do pecado a Deus; mas a cura vem com a confissão do pecado aos homens:

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.  (Tiago 5.16)

Os protestantes, em nome da Reforma, e no zelo de restaurar as verdades bíblicas abandonadas pela Igreja, saíram de alguns extremos para outros. Alguns grupos evangélicos decidiram “jogar fora o nenê junto com a água suja da banheira”. E uma das áreas onde criamos confusão foi na questão da “confissão de pecados”.

Sabemos, pelo ensino bíblico, que se alguém confessa seu pecado diretamente a Deus, receberá o perdão de seu pecado. Condicionar o perdão divino só ao perdão de um sacerdote – ou quem quer que seja – não está em linha com as Escrituras Sagradas. Entretanto, em nome de se consertar desvios doutrinários, criamos outros desvios!

Por exemplo, o apóstolo Tiago está falando sobre confessarmos os nossos pecados uns aos outros; o texto não fala de confissão na vertical – a Deus – e sim de confissão na horizontal – aos nossos irmãos. Quando confessamos nossos pecados ao Senhor, recebemos perdão:

“Se confessarmos os nossos pecados, ELE é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”  (1 João 1.9)

Mas o texto de Tiago fala de uma confissão de pecados que fazemos “uns aos outros” e com um propósito diferente de ser perdoado (o que acontece quando confessamos a Deus): “para serdes curados”. Quando expomos a outros irmãos áreas de erro e pecado em nossas vidas estamos nos abrindo para receber CURA. Não é a vontade de Deus apenas continuar sempre perdoando alguém do mesmo pecado; mais do que isso, o Senhor quer dar a essa pessoa vitória sobre esse pecado!

Já vi, por exemplo, inúmeras situações de irmãos que estavam tendo problemas com pornografia e que contam, todos eles, a mesma história. Permaneceram, por muito tempo, chorando e confessando diante de Deus suas quedas nessa área; mas somente quando abriram com outros o seu problema é que finalmente alcançaram vitória sobre esse tipo de pecado.

É por isso que a religiosidade é tão danosa. Além de perpetuar a mentira – que tem como pai o próprio diabo – a pessoa que finge uma espiritualidade que não tem entra em uma condição de estagnação na vida espiritual em que não poderá haver transformação.

Por outro lado, é quando admitimos e reconhecemos as fraquezas que o poder de Deus pode, então, se manifestar e operar em nossas vidas:

“Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.”  (2 Coríntios 12.9,10)

Que tremenda definição de graça: o poder (de Deus) que se aperfeiçoa na fraqueza (as nossas)! O apóstolo está dizendo que aprendeu a ter prazer em reconhecer suas fraquezas e limitações, pois esse é o caminho para que o poder de Deus opere em nossas vidas.

Caminhar com o rosto desvendado não nos liberta apenas do alto custo (espiritual e emocional) de se viver de “teatro”, mas ainda permite que sejamos trabalhados e transformados pelo Senhor.

RASGANDO O CORAÇÃO E NÃO AS VESTES

É tempo de tirar as máscaras, remover o véu do rosto e andar em honestidade e transparência. Essa é a essência do verdadeiro arrependimento e o anseio que deve reinar em todo coração que deseja render-se totalmente a Deus. Penso que era disso que o profeta Joel, pelo Espírito Santo, falava aos israelitas de seus dias:

“Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.”  (Joel 2.12,13)

Uau! Rasgar o coração e não as vestes! O que a Bíblia está dizendo?

O hábito dos hebreus de rasgar as vestes para mostrar, em público, as vestes de luto que, até então, estavam escondidas, é mostrado repetidas vezes nas Escrituras. Vejamos um exemplo:

“Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou as próprias vestes. Como estava sobre os muros, o povo viu que ele estava usando pano de saco por baixo, junto ao corpo.”   (2 Reis 6.30 – NVI)

O rei de Israel saiu em público vestido normalmente e, de repente, rasgou as vestes comuns para mostrar que, de fato, estava de luto. Os seus verdadeiros sentimentos por toda a crise que atravessavam foi manifestado quando ele rasgou suas vestes. Era uma forma de dizer: “Vocês estão me vendo com roupas normais, mas meu interior está de luto!”

Através do profeta Joel, Deus pediu que os israelitas rasgassem o coração (para mostrar o seu real estado) como prova de arrependimento. A sinceridade e a transparência têm grande poder na luta com o pecado! O Senhor queria que o seu povo mostrasse como realmente estava o interior, pois Ele não se importa com a aparência; o que conta para Deus é o coração.

“O Senhor, contudo, disse a Samuel: Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.”  (1 Samuel 16.7)

O homem tenta manter a aparência porque é assim que os outros homens o veem e medem. Deus quer do homem a transparência não somente pelo fato d’Ele já conhecer o nosso coração, mas, também, porque quer que nós aprendamos a mostrar o nosso interior aos homens (que não podem vê-lo).

Que o entendimento dessas verdades nos ajude a abandonar qualquer expressão de hipocrisia de modo a, pela graça de Deus, andarmos como Paulo: com o rosto desvendado. Concluo com as palavras de Thomas Watson: “É melhor desmascarar nossos pecados antes que eles nos desmascarem”.


Autor: Pr. Luciano P. Subirá.

Com Amor e Para seu Crescimento...

Pr. Alecs!!!

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